Em certa ocasião, numa corrida já bastante tradicional, quatro
jovens pilotos, amantes da velocidade e do risco, resolveram
formar uma equipe e disputá-la. Seriam quatro carros com chances
absolutamente iguais de vencer. Todos com a mesma eficiência
técnica e rendimentos idênticos. A única coisa a distinguí-los
seria a forma com que cada um conduziria seu veículo.
Começada a corrida, o primeiro piloto disparou na frente. Em seu
objetivo de vencer, ele acelerava cada vez mais, o que ia tornando
cada vez mais difícil manter o carro naquela pista sinuosa. A sua
forma de guiar, com arrancadas espetaculares e derrapagens em
todas as curvas ia produzindo um frisson nos espectadores e um
desgaste prematuro e excessivo dos pneus, até que completamente
desgovernado, saiu da pista a teve que abandonar a competição.
O segundo piloto, extremamente cauteloso e conservador, não
admitia correr qualquer espécie de risco. Dessa forma, fazia uso
dos freios com tal freqüência, que isto foi produzindo um
sobre-aquecimento do sistema, que começou a falhar. Com os freios
em precárias condições, foi obrigado a reduzir a marcha, e acabou
sendo superado por todos os demais competidores.
O terceiro piloto, preocupado com as ameaças que representavam
seus oponentes, controlava todos os seus movimentos pelo
retrovisor. Ele ficou de tal modo fixado no espelho, atento a tudo
que se passava atrás de si, que não percebendo uma curva à sua
frente, saiu da pista e ficou fora da corrida.
O quarto piloto, muito mais equilibrado que seus companheiros, determinado a alcançar seus objetivos, ocupou-se logo de planejar uma estratégia para a corrida. E desse modo, sempre que as condições da pista permitiam, ele fazia uso do acelerador, e quando as condições lhe eram adversas, ele usava os freios. Jamais se permitiu quebrar a concentração a ponto de perder de vista seu objetivo ao consultar os retrovisores.
De início, ele foi superado pelos seus concorrentes, mas aos
poucos, sua estratégia se mostrou acertada, e um a um ele foi
superando seus adversários e conquistando suas posições. Até que
por fim venceu a corrida. E de modo brilhante, sem apresentar
cansaço excessivo ou desgaste acentuado de seu equipamento.
Esta breve história ilustra muito bem a forma como as nossas
organizações estão sendo conduzidas.
Algumas, extremamente arrojadas em sua gestão lançam-se em busca
de resultados sem avaliar riscos e sem medir esforços. Produzem um
enorme desgaste em sua estrutura e raramente são bem sucedidas.
Outras, extremamente cautelosas, freqüentemente são surpreendidas
pela competitividade do mercado, sendo invariavelmente superadas
pela concorrência.
Outras ainda, sem uma clara visão de onde pretendem chegar,
orientam-se apenas por números de exercícios anteriores ou pelos
movimentos da concorrência. Estão literalmente fixadas no
retrovisor e geralmente tomam a direção errada.
Há, porém, aquelas que estabelecem suas estratégias tendo em vista
seus objetivos, que avaliam constantemente as condições do
mercado. Elas são arrojadas ou conservadoras conforme a ocasião.
Empresas que sabem onde querem chegar. Que percebem as
oportunidades e monitoram as ameaças.
Essas normalmente são as vitoriosas.
João Henrique Ribeiro dos Santos
(Administrador de
empresas, pós- graduado em Consultoria Empresarial com ênfase em
RH)
Nenhum comentário:
Postar um comentário